sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Dez anos de vida, ao virar da esquina

Ainda não era tarde, duas e meia, três da manha no máximo.
Mais uma noite, igual a outras, sem história.
Foi isso que me fez dizer, do nada até amanha aos amigos,
Descer de mãos nos bolsos o elevador, caminhar do mesmo modo o pátio que conduz á saida.
O entregar de cartao, o até amanha ao porteiro, descer os quatro ou cinco degraus, sair, voltar a esquerda, descendo rumo ao parque onde deixei o carro.
Podia ser mais banal? impossivel!
Descia de mente vazia, ha uma dezena de segundos apenas.
Olho para trás, não ha carros, é seguro atravessar.
Espera.... quem és tu, ai ao fundo, subindo em sentido contrário?
Pareces?.... não... és! ... ''Patricia''? Digo eu em tom surpreso.
Pára tudo.
Param os relógios, os jogos, os filmes e musicas, tudo mesmo
Eras a minha paixao secreta do primeiro ano de faculdade.
Aquele que tomei como sabático e me lançou na vida de vida que agora vivo.
Aquele que fez de mim um protótipo de homem, que transformou a crisálida que fui, na borboleta que sou.
Morena, cabelo longo, de olhos negros, profundos, peito grande, rabo firme, sorriso largo.
Eras a menina dos meus sonhos!
Fazias-me ser tosco e desajeitado, sempre que estava a curta distancia de ti.
Companheira de bancada naquelas aulas de química em que a bata branca que usavas, com o nome bordado a rosa me tirava do sério.
Foste quem sempre desejei, mas que por vergonha, timidez, nunca tentei...
Estás agora aqui, na minha frente, envergando um sobretudo vermelho, que te dissimula as formas.
Continuas linda! Pequenas rugas de expressão mostram que tambem tu cresceste, que te transformaste numa mulher.
''Ricardo!'' dizes tu, sobressaltada.
Teus olhos regalam de espanto, contrastando, negros com o escarlate do teu casaco.
Reages como reage um puto quando recebe o presente que desejou e não pensava ter.
Falamos... conversamos descontraidamente. Despreocupados do que nos rodeia, sobre nossas vidas, sobre os quase dez anos que se passaram desde a ultima vez que nos vimos, naquele verão de 2001.
Casaste, separaste, juntaste para voltar a separar, juntando recentemente de novo para colmatar o vazio de alguem que tiveste e perdeste deixou nesse coraçao pequeno e quente...
Falávamos desses dez anos há dez minutos que pareciam dez segundos, quando eu, sem pensar, sem perceber ainda agora porquê, do meio do nada, sem razão ou motivo digo...
''A quantidade de vezes que te desejei fuder''
Saiu-me da boca.... eu nem digo palavrões!...
Foi o cansaço acumulado, a minha distraçao natural, mente recalcada contigo, a libido alta ou imaginação grafica que tenho? Não sei, não há resposta ou explicação lógica para o que disse.
Olho para ti, incrédulo ainda pelo que disse, acelerando o meu cérebro, a pensar algo para justificar o que acabara de dizer.
Estou a abrir a boca para balbuciar uma desculpa.... que não me recordo qual era,
quando sou interrompido pela tua voz, que disse...
'' De que estás tu a espera''??
Incrédulo, o mundo pausa a minha volta...
Puxas-me pela mão, que agarras forte, cravando as unhas, e subimos a rua....
Ás oito da manhã, seguia eu, no carro, de volta a casa.
A luz cintilante no meu telefone indicava que me haviam tentado ligar.
Foi o Miguel, que se esquecera das chaves do seu carro no meu, e que teve de ir por isso de táxi para casa...
Segui o meu caminho, a estrada onde azafamados lisboetas conduzem já para o trabalho, e apenas com dez minutos dormidos, penso... que não sei onde moras (a casa era de uma amiga), nem onde trabalhas, não sei o teu numero de telefone, não sei o teu e-mail, e não me recordo sequer do teu ultimo nome para te procurar no Facebook.
Não vou bater a porta da tua amiga para não te causar problemas e nem sei bem qual é o andar, ou o prédio, ou a rua. O bairro alto é ainda hoje para mim todo igual.
Sei que se não fores tu a procurar por mim, se não me encontrares, se não te lembrares ou souberes mais de mim do que eu sei de ti, poderei não te voltar a ver, nunca!
Não conto aqui os pormenores, nem as formas loucas como fizemos amor excêntrico durante mais de quatro horas!, não conto as posiçoes, nem como me trataste como um Deus.
Não conto como te tratei como uma Rainha, nem como te comi como uma puta.
Não conto como quase me engoliste inteiro ou fizeste desaparecer dentro de ti... não conto! Isso fica para mim, na minha mente, cravado a fogo, com imagens reais e quentes que ainda agora me aquecem o espirito.
Deixo aqui a parte da história que o mundo pode saber sem pecar, ou discriminar, quase como apelo de esperança ao ''encontra-me''!
E digo, sem sombra de dúvida, foi a melhor noite da minha vida!


E olhem que há muito já não sou criança... Sou Ricardo Santiago

sábado, 15 de janeiro de 2011

Perdoa-me Pai, porque pequei....

Olho para o campanário, imponente destacado nos céus.
Continuo lentamente a subir a dezena de degraus que me falta para atingir o topo... aguardo um momento, hesitante..
Ha anos que nao entro numa igreja.  Encho-me de coragem, fecho os olhos...
Continua igual...
Duas fileiras de bancos, negros,  mal iluminados, divididos ao meio por uma passadeira vermelho escarlate que leva ao altar... um par de passos até a pia de agua benta, onde me benzo... está fria, e com um odor térreo, como se ali estivesse ha seculos...
Ao fundo duas freiras apenas, rezando a oração das completas..
Uma delas volta-se, como que sentindo a presença do meu pecado. Retira-se lançando ao passar por mim um dardejante olhar reprovador ás minhas calças, rasgadas no joelho... avanço e tomo um lugar.
A minha esquerda de joelhos continua a outra.
Jovem elegante, de ancas largas e peito saliente nas formas justas do hábito que enverga.
Olha-me de solaio... sinto-o... Consigo-a ouvir soltar um suspiro, no silencio e retribuo o olhar...de solaio tambem...
Ela sorri.... morde o labio com safadeza. Fico perplexo. No silencio ouço a sua respiraçao, mais acelerada agora, que desperta em mim forte desejo... olho francamente para ela.. nao está a mais de dez metros de mim.. passa a lingua pelos labios, e chama-me com um sinal do dedo...
Levanto-me, e olho em volta... estamos sós...
Imita-me levantando-se também. Admiro melhor a sua figura esbelta, elegante, disfarçada pela veste comprida que lhe chega abaixo dos joelhos. Chego-me.
O seu rosto asemelha-se a um retrato de anjo, monocromático. Pele alva perfeita, e olhos negros cintilantes com uma vivacidade que me me fez estremecer...pureza mais pura..
Agarra-me pela mao e puxa-me, em direcçao ao canto dizendo, ''nao tenhas medo, estamos sós''... Empurra-me contra a parede... mete-me a mao junto a pele, por baixo da camisola, cravando-me as unhas no peito e beija-me com intensidade... e eu cravo-lhe as minhas maos no rabo... Senhor, que firme que é, e que firme tambem eu estou.
Sentindo isso, desaperta-me um, dois, tres botoes, e agarra-me com força, acariciando-me os ''frutos''.
Puxo-lhe a tunica tentando levantar a parte da saia, mas ela sacode-me a mão, e abanando a cabeça, em sinal reprovador, diz com voz ténue.... ''quem manda sou eu!''
Despe-me a camisola, e beija-me onde antes cravou as unhas, como se quisesse curar as marcas que deixou.. Beija-me o peito, e vai descendo com pequenos toques de Lingua rumo á perdiçao que não parou nunca de acariciar, e brinca... beija-o com carinho, lambe-o com ânsia, acaricia-os! faz-me ficar mais duro do que alguma vez ja estive.
Coloca-o na boca, engolindo até ao fim, como se mo quisesse roubar, volta ao inicio e repete o gesto, consecutivamente, tratando-o como um Deus, aquele para quem olho agora a minha frente no altar.
Olha para mim. desvio-lhe o cabelo dos olhos, e admiro a paixão e desejo com que faz o que faz...
Puxo-lhe o cabelo para trás, forçando-a a parar, e digo.. agora sou eu!
Viro a, de costas contra a parede. meto a mao pela saia, para lhe retirar o que tiver por baixo e... nao tem nada.... sinto apenas a humidade, o desejo.
Ela suspira-me ao ouvido ''fode-me''.
Arrasto-a para o confessionário, mesmo ali ao lado,levanto-lhe as pernas, a saia, e entro, entro como quem quer entrar no céu no dia da redenção.. entro e volto a entrar. aperto-lhe o peito, beijo-lhe a boca, faço-a suspirar, gemer, gritar, baixinho, de desejo e prazer. minutos a fio assim.... dois corpos num, molhados... desejo...
Paro, viro-a ao contrário, de quatro, levanto a saia, contemplando aquele rabo, largo, firme, bom, rijo e possuo-a... Possuo-a como demónio possui uma alma pura. Agarro-a com força, consumo-a a bruta! cada vez mais rapido, cada vez mais fundo e ela grita mais alto, já sem controlar a voz, já sem conter o prazer.
Debruço-me sobre ela, e acaricio-lhe os ''outros'' labios, carnudos, molhados, inxados da irrigação do sangue que velozmente lhe corre nas veias. ''Mais rapido'', diz ela... obedeço. Seu peito oscila, aumenta-me o desejo. Agarro-lhe os cabelos, puxo-a para mim, aperto-lhe com a outra mão a mama. Mordisco-lhe a orelha, beijo o pescoço, enquanto a possuo sem tréguas, sem temor, sem piedade, sem parar... As pernas tremem-lhe, o corpo contrai-se, a sua vagina aperta-me como se não me quisesse deixar sair, como se me quisesse para sempre ali, dentro dela, como parte integrante do seu ser... Liberta agora um gemido puro, genuíno, estridente, intenso, prolongado e profundo, que me faz de sobressalto abrir os olhos.
E agora, de olhos abertos, entro na capela. Está deserta......
Perdoa-me Pai, porque pequei....

Teu filho, Ricardo Santiago

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O tempo passou... tu não...

Sim, passou... anos dele! E nele criei apenas momentos de alegrias! (ora para mim, ora para outros, pois neste mundo há sempre alguém feliz com a minha miséria...)
Foi o acaso, a sorte ou o destino como muitos teimam em lhe chamar... chamei-lhe apenas momento, que cresceu e se transformou numa página da minha vida que ainda não consegui arrancar... não foram nunca mais de cem horas seguidas. Éramos amantes sem precisarmos de o ser, mas foi talvez isso que lhe deu aquela chama. Sem ponta de fumo, sem marca de cinza... consumimos tudo, não desperdiçamos nada.... Marcámos com fogo...
Caiu-me tudo... desfiz-me em lama, tremeram me as pernas, faltou-me a voz... faltou-te a voz... nem uma palavra... segundos que pareceram anos, aqueles que se passaram!.... os meus olhos vibravam, reflexo dos teus, sinal de paixão.... sinais de amor, confusos.... Amor..sente-lo por mim, ou pelo filho que agora carregas nos braços... e seguimos caminhos, sem olhar para trás.
Puta na cama, senhora na rua.... Foste, és, e continuarás a ser... e por mais que viva, nunca o vou esquecer, espero...

Beijo Doce, Ricardo Santiago

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Um toque... diferente....

Caminho por vectores, descrevo rectas no meio da multidão. ziguezagueio por entre aqueles que se mostram relutantes em adequar o seu movimento em sentido contrário ao dos restantes transeunte que pela baixa se passeiam... sou distraído, por natureza... mas provido de uma perspicácia acutilante que muitas vezes me faz questionar a veracidade do meu ser, distraído.. serei eu naturalmente selectivo? Ou serei como o segredo de um cofre que apenas se abre com a correcta combinação de cliques?
Vejo-te ao longe, nesse teu sobretudo longo....Os nossos caminhos são convergentes.. tenho vinte segundos, se tanto, para te analizar, para te medir, para imaginariamente te sentir...
Mais ao perto vislumbro por baixo do capuz, a cor dos teus cabelos, sao negros, como carvao... e sao longos, posso perceber pelas pontas soltas que estao por fora e que balançam ao vento... quem me dera ser vento.. estás mais perto, o meu tempo urge, és alta, quase do meu tamanho, esbelta e elegante, consigo imaginar o teu cheiro, estás mesmo aqui, desvias-te de alguem, no meu sentido, passas por mim, tocas-me no ombro, com o ombro, e olhas de relance para mim, com esses olhos... eram verdes... sao verdes... olhaste como se lesses os meus pensamentos, como se tivessemos estado mentalmente a dialogar desde o momento em que ao longe nos vimos.... olhá-mo nos nos olhos... desci ainda o olhar até aos teus labios, num milesimo de segundo, eram carnudos, expressivos, sóbrios... nao esboçaste sorriso, que eu visse pelo menos... fizeste-me sorrir, por isso agora, desejei voltar para trás e ir ao teu encontro, sentir de perto o cheiro que me deixaste no ombro e que me inunda agora por dentro, com desejo... Paro... volto para trás, para ir ao teu encontro, nao vou perder esta oportunidade de te conhecer.. mas onde estás? quem és tu nessa multidão de sobretudos negros? que direção tomaste, que sentido escolheste... qual és? onde foste?
Esperei demasiado...Perdi-te... restam-me as memorias, da tua figura bela, dos teus olhos verde-safira, dos teus lábios carnudos que desejo beijar... que desejo sentir, que desejo tomar por meus... quero-te, desejo-te... anseio em te possuir!!! Mas tu já não estás, já não és....resta-me apenas o suave aroma do teu perfume, que sinto ainda, embora ténue, no ombro do meu casaco...

Por Ricardo Santiago

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Uma amizade inspiradora

São agora exactamente 21 horas e 27 minutos. Acabei de jantar e estou sentado em frente à lareira deixando a minha mente vaguear por um dos trópicos a que o livro que tenho na mão me leva. As letras juntam-se em palavras que tomam sentido em frases que não consigo impedir que formem imagens bem nítidas e interessantes na minha cabeça.
Um desejo começa a parecer que se junta à luz e calor da chama, apoderando-se do meu corpo a cada gole que dou neste líquido maltês. Não posso ficar em casa, hoje a noite vai ser diferente. Vou escrever o meu próprio livro e vivê-lo na imaginação real do escuro da noite que já se fez quente. As chamas ficam cá como inspiração, o livro vai ficar aqui na mesa, aberto para depois continuar e o copo fica... agora apenas com as 2 pedras que em breve também elas se vão render ao calor.
Desço as escadas até à garagem onde encontro um cúmplice de momentos de reflexão e viagens bem passadas. O motor a roncar, o portão a abrir, vamos passear.

-"Já tinhas saudades de passear à noite velho amigo?"
O teu trabalhar sinfónico é tudo o que preciso de ouvir, sem rádio, nem cd's, apenas o teu trabalhar e o vento que me penteia o ser e dá liberdade. Estão 12°C lá fora, mas a realidade é que mesmo de capota aberta junto ao mar, na marginal, a noite continua quente.
Hoje não vou dormir a casa, vai ser diferente. Já sei, vou finalmente conhecer o tal Hotel que o Marco me sugeriu no verão passado. Pelo que me disse serei tão bem ou melhor tratado que ele. E sim, hoje mereço, hoje sou um escritor de renome a criar a sua obra em tempo real.
-"Olha meu caro, todos na marginal repararam em ti até agora, já viste?"
Será por ser quase o único carro na estrada? Por não terem eles noção que a noite hoje é quente e se surpreenderem com a capota aberta a esta hora? Ou por estar vestido como se fosse para o casamento da futura rainha de Inglaterra? Talvez uma mistura das três, mas no meu livro tudo isto faz sentido.
A estrada finalmente acaba junto da entrada do Hotel, intermitentemente iluminada pela luz do farol que me guiou nos últimos quilómetros. Alguém vem na minha direcção, talvez me tenha reconhecido.

- "Muito boa noite, Sr. Sá Coutto. É um privilégio recebê-lo, concede-me a possibilidade de parquear o seu belo automóvel?"
- "Boa noite para o senhor também. Faça favor, muito obrigado e uma boa continuação."
Não estava à espera, mas gostei. Embora ache que ele deve ter gostado mais do passou-bem "prendado" que recebeu.
Entro e dirijo-me à recepção, fitando no trajecto o bar, em cima no balcão do primeiro andar.
- "Sr. Sá Coutto, finalmente recebemo-lo no nosso hotel, seja muito bem vindo"
- "Muito boa noite. Vejo que não exageraram na descrição do hotel e qualidade de atendimento. Gostava de saber se têm..."
- "Aqui têm a chave para a sua suite, tenho a certeza que tudo estará ao seu agrado. E, se me permite, sugiro que passe no nosso bar antes de subir. Se desejar mais alguma coisa, aqui estaremos para o servir."
- "Assim farei. Muito obrigado e um resto de boa noite senhor Carlos. Com licença."
Grande Marco, nunca me deixaste ficar mal e acho que te vou ficar a dever um jantar depois desta noite.

Subo as escadas em curva, envolvendo a fonte que refresca o lobby com a sua água fresca e dinâmica, e pouso o cartão da suite em cima do balcão. O barman olha para mim já com o copo e garrafa na mão..
- "São duas pedras, por favor."
Bela, a jovem que está a beber aquele martini. Um pouco mais longe, nas mesas um casal de uns 62 e 55 anos (ele e ela) namoram como se tivessem menos de metade da sua idade e também numa mesa perto deles..
- "A sua bebida, Sr. Sá Coutto. Esta é de boas-vindas."
- "Muito agradecido."
Bem, nessa tal mesa uma outra menina parece esperar alguém. Mas pela forma como me olha até parece que estava à minha espera. Não esperava encontrar alguém assim por aqui, a jovem beldade que está ao balcão tem uns 33, mas a menina que me fita tem bem menos.
- "Se ela está à sua espera sugiro que não a deixei tempo à espera, se não está... Tente. Ao tempo que ela está sozinha é possível que já não acredite que ele venha."
Distraí-me a olhar para a menina da mesa e a jovem bela aproximou-se sem que desse por isso.
- "Não, que eu saiba não me espera. Vim sozinho em busca de inspiração e não de companhia."
- "Inspiração? Interessante, eu vim fugir da realidade. Andreia Sousa."
- "Miguel Sá Coutto, muito gosto. Sim inspiração, para criar a minha própria realidade, num livro que me leve a um sítio nunca antes visitado. E a imagem da Andreia, neste balcão a beber o seu martini, pode ser uma boa inspiração."
(AS) - "O meu martini ou a minha roupa? Pagava para saber a realidade que existe nessa cabeça."
- "Pagava? Pois, nem a minha realidade nem outra meus pensamentos estão à venda. Mas seguramente que a sua roupa poderia ser uma inspiração, mas não a que está à vista. Esse vestido é sem dúvida uma das mais belas peças que já vi num corpo jovem como o da Andreia, no entanto a minha história já vai bem quente e talvez fosse excessivo."
(AS) - "Uma pena Miguel..."
- "A história ser quente?"
(AS) - "Não sei se sem o vestido teria roupa suficiente para o inspirar, mas acredito que conseguisse ajudá-lo no seu livro. Por isso ser quente não é o problema, pena é não estar à venda."
- "Da forma como me passa as suas palavras quase dá a entender que me queria comprar a mim e não os meus pensamentos."
(AS) - "Quem sabe se não é o Miguel que me está a inspirar?"
- "Quem sabe... Como lhe disse, vim à procura de inspiração e não tenho nada para vender. Mas deixe-me dizer que gostei muito de a acompanhar neste copo e de ter a sua voz a encantar os meus pensamentos. No entanto, o meu copo chegou ao fim e vou-me retirar, com a sua licença. Foi um prazer, muito boa noite Andreia." Nem acredito que estou a fazer isto, mas esta noite é minha, quero criar e estar no meu mundo, no meu próprio trópico.
(AS) - "Duas curiosidades que vou ter de satisfazer mais tarde então. Agradeço a companhia e simpatia. E boa sorte para o seu livro. Uma boa noite Miguel."
Afasto-me com vontade de ficar. Era ainda mais bela do que parecia à distância. Aquele vestido vai demorar a sair dos meus pensamentos. Sensual e sublime, preto, com alguns dourados bem discretos. Sem costas, preso atrás do pescoço lindamente ornamentado com um colar moderno, mas claramente inspirado em tribos africanas. Um decote que parecendo grande, não o era, deixando o olhar privado daquilo que parecia mostrar e a imaginação a completar o resto. O cabelo apanhado apenas com...
(AS) - "Miguel?!"
Parece que vai ser mais difícil afastar-me dela do que pensava.
- "Sim?"
(AS) - "Imagino que a chave do seu quarto também não esteja à venda, por isso não se esqueça dela."
- "Pois, realmente não está não. Obrigado. Uma boa noite, mais uma vez."
(AS) - "Não tem de quê. Boa noite."

Agora parece ser de vez. Os seus cabelos são realmente bonitos. Apanhados atrás e do lado direito, deixando alguns cabelos soltos do lado esquerdo, cobrindo com os seus caracóis parte da face, até ao olho. Verde, com traços de castanho mel. Bem, tenho de pensar noutras coisas agora. Preciso de carregar num destes botões, qual o número do meu quarto? 511.. Quinto andar, o último. Devia era saber o número do quarto dela, de certeza que outra ser uma conversa agradável. Talvez durasse a noite inteira, mas hoje não é noite para isso.
Uma bela suite, era capaz de morar neste Hotel. Já cá devia ter vindo há mais tempo. O armário é espelhado, a cama é quadrada, com mais dois metros de lado, seguramente. Um plasma do tamanho da minha lareira e a "Persistência da Memória" por cima da cabeceira da cama. Gosto também do padrão do papel de parede e da iluminação. Todo o espaço parece ter sido escolhido para mim.
Vou tirar o fato. Uma peça, outra.. os sapatos.. Gravata fora e vai sair o colete também.
Deitado por cima dos lençois, vou-me perder no meu livro, deixando viver na minha pele aquilo que sou hoje. Um escritor de renome.
Mas.... Quem me bate à porta? Mais uma prenda do Hotel? Não são horas para isso mas talvez seja. Vou ver.

- "Andreia.. Não esperava voltar a vê-la esta noite. Posso ajudar?"
(AS) - "Eu por outro lado não fiquei convencida há pouco e não consegui deixar de reparar no número escrito no cartão, quando o deixou em cima do balcão. E pelo que vejo não sou a única pessoa na qual a roupa, ou falta dela, pode ser uma inspiração."
- "Não queira comparar Andreia. Vai-me desculpar, mas já não esperava visitas hoje, realmente já algumas peças foram repousar para o cabide. Agora a roupa que cobre o meu corpo não ser compara com a sensualidade da sua."
(AS) - "Não peça desculpa Miguel. Está muito bem assim. Mas se quer mesmo que o desculpe, deixe-me entrar e não negue a proposta que tenho para lhe fazer."
- "Proposta? Posso ter uma ideia de que se trata?"
(AS) - "Digamos que me parece uma pessoa bastante discreta, conseguindo ao mesmo tempo ser elegante e distinta. Alguém assim acho bem que não esteja à venda. Mas sou uma senhora de nível, muito exigente e nem sempre encontro a melhor pessoa para me acompanhar."
- "Obrigado pelo elogio. Confesso que fiquei curioso e com vontade de conhecer essa proposta de que me fala. Entre, por favor."

(...)

É de manhã, acordo com um sol maravilhoso a entrar pela janela. Levanto-me. Do outro lado do vidro as ondas transmitem uma energia maravilhosa que culmina no seu rebentar na escarpa onde está o farol. Que noite! Acordei rejuvenescido. Parece que acabei de sair de um retiro espiritual na Índia. Um bilhete na mesa de cabeceira? Não.. Uma nota. Gosto da cor. Tem algo escrito..

"Bom dia Miguel. Espero que tenhas acordado tão bem e tão sorridente como eu. Fez-me sentir uma mulher que já quase não me lembrava que era. A sua companhia superou tudo aquilo que a minha imaginação tinha criado. Espero que para a próxima que alguém quiser a tua companhia esteja mais disponível a trocar os teus pensamentos e presença por uma lembrança como a que aqui te deixo. Tomei a liberdade de levar um catão de visita que encontrei no seu fato. Vou usá-lo. Um beijo de rosA.S."

Uma lembrança em troca da presença e pensamentos? Obrigado pela inspiração Andreia.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Inicio de actividade

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Marcação através de e-mail ou contacto telefónico.
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Honorários: a combinar